Data: 2010-06-10

DEPOIMENTO DE PÓS-GRADUANDO EM DOCÊNCIA DO UNESC (10/6/2010)

“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.” (Alvin Toffler)
 
Patrícia*,
Quero externar a minha satisfação pela escolha do curso de Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior, pois eu estava enxergando homens como árvores, e à medida que passei a compreender sobre a figura do professor em si, da sua responsabilidade na condução do ensino e aprendizagem, bem como pelo compromisso ético e pessoal que ele tem que ter na reformulação do conhecimento, foi que as escamas dos meus olhos começaram a cair. Passei a compreender e a respeitar a força que existe na expressão da palavra “Professor”.
Uma das maiores discussão que se tem acerca do professor é: porque que grande parte das instituições atribui a competência do professor pautado na condição técnica profissional, menosprezando outros requisitos, que para o exercício da docência, são primordiais?
Apesar de ter mais de 20 anos de experiência no ramo de segurança pública, e atrelado a essa experiência vários cursos voltados para esse fim, bem como uma especialização em Direito Penal e Processo Penal, só agora é que comecei aprender a mediar o conhecimento. Já tive experiência de ministrar aulas numa escola particular para alunos do ensino médio, porém havia situações que fugia ao controle do meu saber, da minha experiência e, didaticamente, eu não sabia como administrar aquela situação.
Não obstante, recentemente fui contratado para participar de um projeto (Mais Educação), implementado pelo Governo Federal, como voluntário, para ministrar aulas de Direitos Humanos. A seleção dos alunos é feita pela diretoria da escola, e numa turma, por exemplo, tem-se alunos de 2ª a 6ª séries, e são justamente os que têm estado abaixo da média escolar e os que menos respeitam os professores. Para a minha alegria, já no primeiro mês eu tive a grata satisfação de ouvir dos professores que alguns dos seus alunos estavam melhorando o comportamento.
Isso só foi possível, ou melhor, só está sendo possível devido ao curso de docência que estou concluindo, pois estou conseguindo materializar todo o conhecimento que aprendi junto às turmas, e é muito bom, pois as idéias não param de surgir, haja vista o curso ter alavancado o meu senso crítico e a sensibilidade de poder compreender melhor quem está do outro lado: o aluno.
Apesar de ter sido, e ainda sou, aluno durante a maior parte da minha jornada, fui condicionado a ser passivo, a enxergar o mundo conforme o objeto que me era apresentado, somente de um lado, e não a dar voltas sobre o objeto para estudá-lo sob diversos ângulos. Mas, agora, eu estou tendo a oportunidade de contribuir com um público que ainda faz parte de uma educação de base, mas que terá uma visão diferenciada sobre o ensino e aprendizagem, e espero contribuir ainda mais no que tange ao meu público alvo, que é o ensino superior.

Um abraço!
  Marcos Helmer

* Patrícia Bendinelli, da Coordenação Pedagógica do UNESC.


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